Quando eu conheci Saramago, foi uma grande surpresa e encantamento. Ele foi uma dessas pessoas e ocasiões que ocorrem raríssimas vezes no mundo da literatura ou das artes. Tive o privilegio de conhecê-lo enquanto pessoa, muito antes de conhecer sua obra. Incrível. Ano se não me engano era 2005 5º edição do Fórum Social Mundial. Eu e alguns colegas das Ciências Sociais estávamos em Porto Alegre, folheando o jornal com a programação do evento, nos deparamos com um grande problema. Eric J Hobsbawmou e José Saramago, duas palestras acontecendo simultaneamente, eu queria ver o historiador, mas meus colegas me convenceram a ver o Saramago. Na época nem sabia que era, ou sobre o que ele escrevia, mas como se tratava de um Nobel da paz, achei que valeria a pena.
Imaginem a tenda Lotada, (sim as palestras aconteciam em tendas) mas de 2 mil pessoas ajeitadas como dava, um calor superior a 35 graus quando Saramago chegou, de passos lentos, caminhava com alguma dificuldade, camisa social molhada de suor, sentou-se, tomou um gole de água, cumprimentou a platéia. Explicou que havia escrito o que falaria, portanto preferiria ler o texto, argumentou que a idade o fazia perder algumas palavras, sim perder algumas palavras mais jamais perder a lucidez e a clareza como expressava suas idéias e preocupações.
Durante 1 hora nos encantou, demonstrou preocupação com o mundo que estava deixando para as futuras gerações, falou sobre a natureza humana, falou sobre a violência, falou sobre a questão ambiental, mas sobre tudo, acreditou ele e acreditamos juntos que um novo mundo é possível, que na vida, nada nunca está perdido. Após a palestra, tornei-me leitor de Saramago, comecei com As Intermitências da Morte, depois Pequenas Memórias, O Evangelho segundo Jesus Cristo. No momento estou lendo Ensaio sobre a Cegueira. De resto fica a Saudade do maior escritor de língua portuguesa de todos os tempos. Adeus José, a morte em seu vestido vermelho veio lhe buscar!
0 Ideias:
Postar um comentário